Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder
Era para ter o vídeo... mas a câmera da PF pifou.
A Operação Caixa de Pandora deveria ter o vídeo do encontro entre o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), e seu então secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, no dia 21.out.2009. Mas, na hora "H", a câmera usada pela Polícia Federal falhou.
O inquérito diz: "O arquivo de vídeo relativo à captação ambiental não compreende o registro de toda a situação em razão de provável superaquecimento seguido de resfriamento que pode ter causado pane técnica no equipamento utilizado".
Em resumo, o vídeo da PF pifou. Abaixo, a imagem da página do inquérito que relata essa falha técnica:
As páginas do diálogo de Arruda com Durval no inquérito
A seguir, as imagens das páginas do inquérito com o diálogo de 21.out.2009 entre Arruda e Durval (já transcrito parcialmente no post abaixo). Basicamente, trata-se de um encontro entre o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), e seu então secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa --este portava uma mala com R$ 400 mil (imagem abaixo) e discute com Arruda como dividir o dinheiro. A gravação ambiente foi feita com equipamento da Polícia Federal colocado sob a roupa de Durval:
A seguir, trecho de parte do que consta dos autos do processo da operação Caixa de Pandora, que investigou um suposto mensalão do governo de Brasília, do DEM:
Arruda - Tudo bom, Durval?
Durval Barbosa - Mais ou menos, né? Vamos olhar isso aqui primeiro? Isso aqui é o seguinte: isso aí foi do ???. Eu até perguntei pro Maciel se ele tinha alguma... Alguma soma, pra isso aí. Aí ele falou: Não, ele prefere conversar com você. Aí o que que aconteceu, o Gilberto foi doze, tirando os impostos, ficou novecentos e quarenta e oito. Aí antecipou a você. O Paulo... O Paulo Octávio [vice-governador mandou pagar cinqüenta ao Giffone [Roberto Giffoni, corregedor-geral do DF] e cento e vinte ao Ricardo Pena [secretário de planejamento do DF]. Aí, o Toledo resolveu o caso desses... Dos meninos aí, que eu acho que é louvável, que PE o Miquiles e o Nonô, tá?
Arruda - Quem?
Durval - Miquiles e Nonô. Miquiles cê sabe quem é. Nonô é o... foi o diretor lá. Que... Situação de penúria. Aí ficou, é... seiscentos e vinte e oito. Seiscentos e vinte e oito, aí soma esses totais aí que chegaram, ta faltando chegar cem da Vertax, é... E ta faltando chegar... Aí o Gilberto ta faltando chegar, que dá um pouco. Aí vem o Re... A questão do conhecimento, do reconhecimento, dá uns nove, aproximadamente nove. Aí, vai uns setecentos e cinqüenta, oitocentos, por aí.
Arruda - Hoje tem disponível isso aqui?
Durval - Hoje, hoje tem isso aí pra você fazer o que cê quiser, pagar a missão. Agora, se for no... no... na coisa normal, no dia a dia, no comum, cê teria hoje quatrocentos disponível. Pra entregar a quem você quisesse.
Arruda - Ótimo
Durval - Tá? Mas se você tiver outra missão... Você fez muito acordo e eu não... Eu falei com o Maciel o seguinte, eu falei: Olha Maciel, tem que olhar o seguinte: ele fez muito acordo nesses negócios (?) política. Então, tem que perguntar pra ele, pra gente não antecipar as coisas. Aí, quando veio esse negócio do Paulo Otávio, eu falei Puta! Já sacaneou de novo. Entendeu?
Arruda - É.
Durval - Mas se tiver de reclamar com você, e não fala pro Paulo Otávio pra primeiro te perguntar.
Arruda - Ah é. Mas tô querendo (???) seguir as ordens do Paulo. Primeiro, fala comigo.
Arruda - Deixa eu te perguntar, nesse valor aqui de nove, novecentos... novecentos e noventa e quatro, você já pegou sua parte?
Durval - É foda! É encantamento. Encantamento é uma desgraça.
Arruda - É. Deixa eu te perguntar uma coisa, é... somando as quatro daqui, quanto foi pago?
Durval - Foi pago quinze bruto. Quinze... Quinze tudo. Quinze, quinze, quinze. Quinze. Do Gilberto foi pago doze. Cê multiplica aí por vinte ponto vinte e seis. O dele é maior um pouquinho, que é cinco a mais. É ponto vinte e seis, ponto cinco, dá novecentos e quarenta e oito. Aí ele tá, tá bancando. E... esse da Infoeducacional, olha aí como é que foi. Foi sessenta pro valente, tá? Porque ele deu integral, não descontou nada. Só veio pro Valente. Deu sessenta pro Valente, sessenta pro Gibrail, mais o Fábio Simão, que são os donos lá da área financeira, né? E não pode... e não tem jeito. Aí, fico.... sobrou um sete oito.
Arruda - Deixa eu te perguntar, nesse valor aqui de nove, novecentos... novecentos e noventa e quatro, você já pegou sua parte?
Durval - Não, eu... Eu só pego quando cê acerta. Só pra pagar advogado.
Arruda - Não. Mas tem que pegar a sua parte, ué. Nós pagamos é...
Arruda prepara versão difícil de sustentar
O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), tem engatilhada uma explicação para as conversas que manteve com o seu agora recém-exonerado secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa. Dirá que nunca deu dinheiro a Barbosa, mas que este é que apareceu se oferecendo com os valores.
Agora que foi divulgado o conteúdo das conversas gravadas da operação Caixa de Pandora, fica claro que Arruda, de fato, tem razão --mas apenas parcialmente. Na principal oportunidade registrada nessa investigação, um áudio de 21.out.2009, quem aparece com R$ 400 mil é Durval Barbosa. Só que Arruda claramente instrui seu interlocutor para distribuir o dinheiro a políticos aliados em Brasília.
A gravação é devastadora.
Se Arruda simplesmente tivesse dito a Barbosa para guardar o dinheiro e sair dali, já teria sido uma situação muito ruim. Um governador tem a obrigação legal nessa situação de chamar a polícia. Mas foi pior ainda.
As gravações do chamado caso do mensalão do DEM em Brasília mostram Arruda conivente e participando da fórmula para distribuir o dinheiro.
O governador está nesta noite de sexta-feira (27.nov.2009) reunido com assessores e se preparando para dar explicações. Pode falar ainda hoje ou amanhã, sábado. Terá dificuldades para encontrar uma versão minimamente aceitável para o ocorrido.
Se tudo de fato se confirmar, o Democratas perderá o único dos 27 governadores brasileiros que está filiado ao partido.