Gary Foxcroft, 29, é o co-fundador da Stepping Stones Nigeria, uma caridade que trabalha no Delta Nigeriano para proteger os direitos de crianças carentes, particularmente as que foram acusadas de bruxaria.
Ele conversa com Olivia Edward sobre as causas e soluções para a crença em bruxaria que foi disseminada na região.
Quando cheguei na Nigéria, eu ouvi estórias de crianças que vomitavam sapos ou se transformavam em bodes. Eu estava incrédulo. Foi só quando chegamos lá e estávamos preparando o projeto escolar que realmente obtivemos uma compreensão da profundidade da crença e da escala de abandono infantil.
Dizemos de forma geral, que 95 por cento das pessoas acreditam que crianças podem ser bruxas. Mas eu diria que é uma estimativa conservadora. Até juízes, executivos, acadêmicos bem viajados, governadores, seja quem fôr, todos eles geralmente acreditam em bruxas infantis.
Todas as “crianças bruxas” foram torturadas de uma forma ou de outra. Talvez eles estão na igreja um dia e o pastor aponta para a criança e diz que é uma bruxa. Aí então, são mantidas na igreja e obrigadas a ficarem acordadas noite após noite, forçadas a beberem poções que as libertarão dos espíritos maus. Ás vezes são encarceradas nas igrejas, espancadas e esfomeadas. Ás vezes óleo quente é derramado sobre suas cabecinhas, ou são enterradas vivas, ou afogadas. Mas esses são casos extremos.
Educação e conscientização são as melhores maneiras de trabalharmos contra essas crenças. Estamos tentando fazer com que as pessoas reconheçam que uma criança que molha a cama não é uma bruxa; que epilepsia não é bruxaria; que HIV e AIDS não é bruxaria. Também estamos tentando trabalhar com a igreja para regulamentar as atividades dos pastores e, com legislação, fazer com que apliquem inteiramente o ato de direitos infantis, assegurando a proteção dos direitos das crianças.
Temos de separar as crenças dos atos, mas é muito difícil de fazer. Eu acho extremamente desafiador não dizer, simplesmente, algo como – “Como é que conseguem crer nessa loucura?” Mas, como uma organização, não queremos demonizar as comunidades ou os grupos de fé. Estamos procurando focar no fato de que podem crer no que desejarem, contanto que não comecem a banhar as crianças em ácido ou acendê-las em chamas.
Curriculum vitae
1979 Nascido em Lancaster, Lancashire
1991–98 Lancaster Royal Grammar School, Lancaster
2001 Estudos Sociais e Culturais BA Hons, University of Derby
2003 MRes Meio Ambiente e Desenvolvimento, Department of Geography, Lancaster, com posição na Nigéria
2005 Stepping Stones registrada como caridade
2005–06 Construiu escola e iniciou outros projetos para proteger crianças carentes no estado de Akwa Ibon, Nigeria, com pareceiro, Naomi Chapple
2008 Estado de Akwa Ibon passa uma lei criminalizando a estigmatização de crianças como bruxas, resultado direto da campanha do Stepping Stones.